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Na Bacia Hidrográfica do Rio Uatumã existem cinco espécies de mamíferos aquáticos: o peixe-boi da Amazônia (Trichechus inunguis), o boto vermelho (Inia geoffrensis), o boto tucuxi (Sotalia fluviatilis), a ariranha (Pteronura brasiliensis) e a lontra (Lutra longicaudis). A formação do lago de Balbina gerou várias alterações sobre o habitat dos mamíferos aquáticos da região, como a separação dos grupos e mudanças na oferta de alimentos. Pesquisadores sugeriram que o centro poderia diminuir os impactos ambientais por meio de atividades de proteção, pesquisa e manejo em cativeiro e monitoramento dos habitats e por meio de ações de fiscalização e educação ambiental.

      O Centro de Preservação e Pesquisa de Mamíferos Aquáticos – CPPMA é um centro de reabilitação de animais aquáticos da Amazônia, mantido pela Manaus Energia S/A., objetivando a preservação do peixe-boi da Amazônia (Trichechus inunguis), que, como as outras espécies da ordem Sirenia, faz parte da lista internacional de animais ameaçados de extinção. No Brasil, o peixe-boi é protegido pela Lei nº 5.197, de 1967 (Código de Fauna) e Lei nº 9.605/98 (Crimes Ambientais). Especificamente o peixe-boi foi relacionado como espécie ameaçada de extinção na Portaria IBAMA nº 1.522/89. O CPPMA mantém atualmente 18 peixes-bois da Amazônia (Trichechus inunguis) 1 ariranha (Pteronura brasiliensis) e 3 lontras (Lutra longicaudis).






Peixe-Boi da Amazônia – Trichechus inunguis





   
                         
     





     O CPPMA foi implantado em 1985, sendo formado por três tanques para abrigar botos e peixes-boi adultos, oito tanques para peixes-boi jovens, três recintos para ariranha e lontra, laboratórios, escritórios e centro de visitantes com sala de vídeo e palestras.
Possui uma Estação de Tratamento de Água - ETA com sistema de filtro de areia e carvão, contando ainda com um igarapé cercado, para garantir o alimento natural (gramíneas) para os peixes-bois, além de dois tanques de piscicultura, para cultivo de macrófitas do tipo dos murerus (Eichornia sp) e aguapés (Pistia sp).
     Os recintos dos animais possuem áreas de manejo montadas e equipadas de acordo com as características de cada espécie:

fig Peixes-Boi: berçário e quarentena para os filhotes, creche e tanque para os jovens e adultos, com área de atividade e cambiamento com capacidade para 200 mil litros e 20 mil litros de água, respectivamente.

fig Lontra: terrário, piscina e cambiamento.

fig Ariranhas: terrário, piscina e cambiamento e simulação de loca.

   
                         
                 
Tanque para Peixe-Boi
 
     
 
     





     Os trabalhos concentram-se no CPPMA da Usina Hidrelétrica de Balbina, na Bacia do Rio Uatumã e nas áreas de ocorrência do Peixe-boi da Amazônia e se desenvolvem por meio de parcerias com instituições científicas, ONG’s, Institutos de Fiscalização e Prefeituras Municipais, cujos principais programas são:



       fig Programa de reabilitação de filhotes órfãos de peixes-bois e reabilitação de jovens e adultos da espécie que necessitem de cuidados; a reabilitação de ariranhas e lontras;

       fig Programa de readaptação dos animais resgatados do cativeiro para reintrodução no ambiente natural;

       fig Programa de educação ambiental com os visitantes do Centro;

       fig Campanhas de conscientização e educação ambiental com os moradores ribeirinhos do Rio Uatumã;

       fig Programa de estágios voluntários, de cursos e instituições afins com o trabalho;

       fig Programa de pesquisa e acompanhamento do desenvolvimento dos animais em cativeiro;

       fig Programa de educação conservacionista no Rio Uatumã.


      Estão em via de ser implantados pelo CPPMA: o programa de soltura e monitoramento dos animais em ambiente natural e o programa de reprodução em cativeiro. Busca-se preservar as populações de peixe-boi (Trichechus inunguis), ariranha (Pteronura brasiliensis), lontra (Lutra longicaudis), boto vermelho (Inia geoffrensis) e boto tucuxi (Sotalia fluviatilis) no reservatório da UHE de Balbina e a jusante, através de propostas de manejo e conservação.
                         
                 
Filhote de Peixe-Boi ferido, ao ser capturado
em malhadeira
   
 A Realização das campanhas de informação e conscientização para a Educação Ambiental, criou uma mudança de atitude da população, proporcionando um aumento das denúncias de animais capturados e em condições precárias, possibilitando o resgate destes animais pelo IBAMA para posterior recuperação e manutenção em cativeiro.
       
   
Filhote de Ariranha em reabilitação
   
 
O CPPMA também procura apoiar as iniciativas de organizações comunitárias que visem a melhoria na qualidade de vida das comunidades ribeirinhas do Rio Uatumã, como no caso da criação da Associação das Comunidades do Rio Uatumã, na Reserva Extrativista do Uatumã, onde promoveu cursos de permacultura, piscicultura e agentes ambientais voluntários.
       
   
Palestra sobre o Peixe-Boi em escola comunitária.
     

 

 

 
     
     





PEIXE-BOI (Trichechus inunguis)




     Mamífero aquático herbívoro, de água doce, coloração negra, podendo apresentar manchas branco-rosada na região ventral. Possui cauda em forma de pá, e a ausência de unhas nas nadadeiras peitorais é característica da espécie. Alimentam-se exclusivamente de plantas aquáticas e semi-aquáticas. O período de gestação é em média de 13 meses, a amamentação e o cuidado com o filhote é de dois anos, nascendo um filho a cada três anos. Ficam adultos a partir de 5 a 6 anos, e vivem cerca de 60 anos. Os filhotes medem de 80 a 110 cm, pesando entre 8 e 12 kg, enquanto os adultos medem de 3,0 a 3,5 m, pesando entre 300 e 500 kg. Está na lista Oficial de Espécies da Fauna Brasileira ameaçada de extinção (IBAMA) e vulnerável (IUCN).

     Pertence à classe dos mamíferos, ordem dos sirênios, família dos TRICHECHIDEOS. No Brasil existem duas espécies de peixe-boi, o marinho e o peixe-boi da Amazônia, que é o único exclusivamente de água doce e habita os rios da Bacia Amazônica, distribuídos em seus tributários até o Peru e Equador.

   
                         
                 
Peixe-Boi se alimentando de mureru, alface d’água, no CPPMA
   
ARIRANHA (Pteronura brasiliensis)


     Classe dos mamíferos, ordem dos carnívoros, família dos mustelídeos. Ocupa rios de corrente relativamente calmas, além de baías e lagoas da região Centro Oeste brasileira e amazônica.

     Bem adaptada à vida semi-aquática, possui coloração marrom escura e membrana interdigital nas patas, a cauda é plana com formato de remo. A gestação ocorre em torno de 70 dias, nascendo de 1 a 3 filhotes por ano. Fica adulta em torno de 5 anos e vive em média 15 anos. É uma espécie diurna, social e monogâmica. Formam grupos familiares, apresentam nove tipos de vocalizações, constroem tocas nas margens dos rios para reproduzirem durante o período de seca. Alimentam-se basicamente de peixes, moluscos, crustáceos e aves. A reprodução em cativeiro ainda é muito rara. Os filhotes pesam entre 150 a 200 gramas e medem de 10 a 15 cm e os adultos medem de 1,5 a 1,9 m e pesam entre 20 a 35 kg. Está na lista de animais ameaçados de extinção (IBAMA), vulnerável (CITES) e insuficientemente conhecida (IUCN).

     Em 2001 foi implantado em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas - INPA, Manaus Energia e Fundação O Boticário, o estudo da ecobiologia das ariranhas que sobreviveram e adaptaram-se ao novo sistema hidrológico no lago de Balbina.

       
   
Ariranha
   
LONTRA (Lontra longicaudis)


     
     Classe dos mamíferos, ordem dos carnívoros, família dos mustelídeos. Encontrada praticamente em todos os ambientes aquáticos, desde pequenos rios, lagos e estuários bem como na costa marinha.

     Bem adaptada à vida semi aquática, apresenta corpo flexível e delgado de coloração marrom escura e membrana interdigital nas patas. Tem hábitos solitário e atividades crepusculares. Alimentam-se basicamente de peixes, moluscos, crustáceos e aves. A gestação ocorre em torno de 60 dias. Nascem de 2 a 4 filhotes por ano. Fica adulta em 2 ou 3 anos. Vivem em torno de 20 anos. Os filhotes pesam entre 100 e 130 gramas e medem de 8 a 10 cm e os adultos medem de 1,0 a 1,2 metros e pesam entre 5 a 15 kg. Está na lista de animais ameaçados de extinção (IBAMA), Apêndice I, vulnerável (CITES) e insuficientemente conhecida (IUCN).que sobreviveram e adaptaram-se ao novo sistema hidrológico no lago de Balbina.

 






    De forma geral, a caça desses mamíferos está relacionada à subsistência de algumas populações e à economia informal. A captura dos animais é feita com a utilização de artefatos tradicionais como arpões, tornos e cacetes e armadilhas como o pari e o mutá (menos usadas atualmente). São também ameaças as redes de espera, redes de arrasto, malhadeiras e outros.

    Levantamentos apontam cerca de 500 animais mortos por ano, por caçadores profissionais e oportunistas. Este número foi obtido a partir de registros oficiais, com ocorrências como a descoberta de carne posta à venda, o resgate de filhotes e denúncias.

    Entre os fatores adicionais de risco para os peixes-boi, está o desmatamento, a pecuária (especialmente a bubalinocultura), a contaminação por mercúrio proveniente da mineração, a retirada de seixo, o derramamento de óleo, o uso de agrotóxicos e as culturas de várzea. Também representam perigo os grandes barcos pesqueiros, os arrastões (já existe malhadeira confeccionada com malha para capturar peixe-boi) e o atropelamento por embarcações velozes. Contudo, a falta de informação e de consciência e a impunidade ainda são as maiores ameaças.




     
 




O CPPMA tem como principais parceiros:


fig Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA;

fig Universidade Federal do Amazonas – UFAM;

fig Instituto Nacional de Pesquisas Amazônica – INPA;

fig Associação Amigos do Peixe-boi - AMPA;    http://www.amigosdopeixeboi.org.br

fig Instituto de Pesquisas Ecológicas –IPE







         
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