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  O Centro de Preservação e Pesquisas de Quelônios Aquáticos da Usina Hidrelétrica de Balbina foi construído em 1989 visando proporcionar condições para a preservação e o estudo dos quelônios aquáticos amazônicos que habitam a região do reservatório e áreas de influência da Usina Hidrelétrica de Balbina.

   O CPPQA é composto de dois tanques circulares destinados à manutenção, desova e crescimento de filhotes de tartarugas. Um dos viveiros possui praias artificiais onde são mantidos os animais adultos, e o outro viveiro abriga os filhotes para o experimento.



   
                               
                     
Viveiros de Tartaruga com
praia artificial
   
       
 
      Já em 1986, descobriu-se que cerca de 370 tartarugas-da-amazônia agruparam-se perto da futura barragem da UHE Balbina, sem poder subir o rio para desovar nos tabuleiros a montante da barragem. Por isso, em setembro desse ano o CPPQA começou a criar as praias artificiais, para permitir a desova das tartarugas, sendo a primeira implantada à margem esquerda do Rio Uatumã.
 
         
       
         
     Já no mesmo ano aconteceram 41 posturas de ovos, com o nascimento de 968 filhotes de tartaruga-da-amazônia. Em 1987, foram 55 posturas. Dessa vez, nasceram 1.530 filhotes.

     Nessa ocasião, o CPPQA iniciou atividades para manejar a desova e nascimento dos filhotes, com a soltura em lagos do Uatumã e no reservatório. O resultado foi a recuperação da população de quelônios da área.

     Em 1992, o CPPQA assinou convênio de cooperação técnico-científica com o Centro Nacional de Quelônios da Amazônia – CENAQUA, para pesquisar a criação em cativeiro desses animais. Nasceu então o Programa de Preservação do Centro de Preservação e Pesquisas de Quelônios Aquáticos da Usina Hidrelétrica de Balbina - CPPQA.

     O Programa tem como objetivo estudar os quelônios afetados pela construção da barragem do Rio Uatumã, por meio do mapeamento das áreas de desova a montante e a jusante da usina hidrelétrica e do monitoramento da desova e eclosão de filhotes nas praias artificiais, da taxa reprodutiva por desova e eclosão, da temperatura dos ninhos e da taxa de nascimento de machos e fêmeas, além da soltura de filhotes e jovens das espécies Podocnemis expansa (tartaruga-da-amazônia) e Podocnemis unifilis (tracajá) no Rio Uatumã e no reservatório.


    O Programa promove ainda a participação das comunidades nas atividades de proteção das áreas de reprodução de quelônios e fornece subsídios para pesquisas visando gerar tecnologias de criação dessas espécies em cativeiro, em conjunto com instituições de ensino e pesquisa, como o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia – INPA e a Universidade Federal do Amazonas - UFAM.

     De 1986 a 2003, dentro do Programa do CPPQA, já foram soltos cerca de 40.000 filhotes de tartaruga-da-amazônia e de tracajá, nos Rios Pitinga e Uatumã e em lagos nas regiões de igapó, às margens do Uatumã, onde esses quelônios vivem normalmente quando estão fora da época de reprodução. Os animais são soltos no tempo das águas altas, quando os igapós são inundados. Isso dá melhores condições de sobrevivência aos filhotes, uma vez que os igapós são áreas com fartura de alimentos e abrigo, e ainda têm “espaços de fuga” dos predadores naturais.


     Desde 1995, o CPPQA, em conjunto com o Centro de Preservação e Pesquisa de Mamíferos Aquáticos - CPPMA, vem atuando junto às comunidades nas áreas do Rio Uatumã, orientando sobre a proteção dos lagos e áreas de uso coletivo da comunidade; sobre a legislação ambiental, e alternativas econômicas para a subsistência dessas populações tradicionais; sobre a participação na criação da Reserva Biológica do Uatumã, apoiando o Programa do IBAMA de Agentes Ambientais Comunitários Voluntários - AACV, o Programa de Proteção à Reprodução de Quelônios no Rio Uatumã, com a participação efetiva das populações locais através dos Agentes de Praia Comunitários, entre outros.




         





    Controle e monitoramento das desovas naturais de Podocnemis expansa e Podocnemis unifilis nas praias artificiais às margens do Rio Uatumã e em cativeiro, na UHE de Balbina;

    Soltura de indivíduos filhotes e jovens das espécies Podocnemis expansa e Podocnemis unifilis na natureza;

    Fornecimento de subsídios às pesquisas em cativeiro, visando gerar tecnologia para a criação comercial de quelônios;

    Mapeamento de tabuleiros e estabelecimento de ações de manejo para a proteção da reprodução de quelônios, com envolvimento das populações locais.




         





     Foram identificados 23 tabuleiros e todos foram georeferenciados nos Rios Uatumã e Pitinga, com o objetivo de subsidiar as ações científicas e de manejo para a proteção e manutenção das áreas de desova dos quelônios aquáticos, com envolvimento das populações;

     Realizado povoamento da região do Rio Uatumã com filhotes de tartaruga e tracajá resultantes do manejo de reprodução, com soltura de cerca de 40.000 filhotes ao longo dos anos de execução do programa;

     Realizadas ações de sensibilização e esclarecimento junto à comunidade local, auxiliando na coibição de ações predatórias desse grupo de animais;

     Promovidas campanhas de orientação das comunidades quanto à legislação ambiental, e alternativas econômicas para a subsistência das populações tradicionais, com o envolvimento nas ações de estabelecimento de estratégias para a proteção dos lagos e das áreas de uso coletivo da comunidade;

Foram definidas ações de proteção à reprodução de quelônios no igarapé Jaraoacá e no lago Maracarana, com Agentes de Praia Comunitários, em parceria com o IBAMA/AM.



     






     Promover pesquisas sobre desenvolvimento, alimentação, comportamento e reprodução dos quelônios (tartaruga-da-amazônia), Podocnemis expansa e tracajá, Podocnemis unifilis mantidos em cativeiro e em ambiente natural;

     Manter um banco de matrizes para reprodução em cativeiro e repovoamento do reservatório e do Rio Uatumã, à jusante da barragem;

     Planejar e desenvolver atividades de manejo e conservação dos quelônios aquáticos na região de influência da UHE de Balbina;

     Desenvolver tecnologias e metodologias adequadas à criação e manejo de quelônios em cativeiro.




     





   A tartaruga da Amazônia (Podocnemis expansa) é uma espécie aquática, possue membrana interdigital. A carapaça achatada, mais larga na região posterior, e com coloração marrom, cinza ou verde-oliva. Apresenta dimorfismo sexual, macho com cauda comprida e fêmea com cauda curta. O período de nidificação varia de julho a dezembro, com postura de 63 a 136 ovos. A incubação é de aproximadamente 50 dias.

    A tartaruga da Amazônia é largamente distribuída pela Bacia Amazônica e Bacia do Orinoco, ocorrendo nos rios da Colômbia, Venezuela, Guiana, leste do Equador, nordeste do Peru e norte da Bolívia e Brasil, chegando a alcançar a região Central do território brasileiro (Tocantins, Goiás e Mato Grosso). Habita rios, lagos e igarapés, em função da época do ano. É o maior quelônio de água doce da América do Sul, ultrapassando 80 cm de comprimento por 60 cm de largura, chegando a pesar mais de 60 kg (Ferreira Luz,1994b).

       
       
Tracajá
     
    O tracajá (Podocnemis unifilis) é uma espécie aquática, possue membrana interdigital e carapaça oval, levemente alta e coloração marrom, cinza ou verde-oliva. Jovens e machos adultos com manchas amarelas na cabeça. Comprimento da carapaça de até 68cm. Apresenta dimorfismo sexual, macho com cauda comprida e fêmea com cauda curta. Habita rios, lagos e igarapés, em função da época do ano.

    O período de nidificação varia de junho a dezembro, com postura de 15 a 35 ovos por postura. O tracajá (P. unifilis) encontra-se distribuído por toda a Bacia Amazônica. As fêmeas são maiores que os machos e possuem em torno de 8 kg, medindo em média cerca de 38 cm.


   O tracajá (Podocnemis unifilis) é uma espécie aquática, possue membrana interdigital e carapaça oval, levemente alta e coloração marrom, cinza ou verde-oliva. Jovens e machos adultos com manchas amarelas na cabeça. Comprimento da carapaça de até 68cm. Apresenta dimorfismo sexual, macho com cauda comprida e fêmea com cauda curta. Habita rios, lagos e igarapés, em função da época do ano.

    O período de nidificação varia de junho a dezembro, com postura de 15 a 35 ovos por postura. O tracajá (P. unifilis) encontra-se distribuído por toda a Bacia Amazônica. As fêmeas são maiores que os machos e possuem em torno de 8 kg, medindo em média cerca de 38 cm.

       
     
  Filhotes de Tracajá
      Os quelônios possuem corpo encurtado e alargado com cauda pouco desenvolvida. O casco é formado por ossos dérmicos fundidos à coluna vertebral e às costelas. O casco das tartarugas é formado de carapaça e plastrão. Apresentam bicos córneos no lugar de dentes. As tartarugas são ectotérmicas e a respiração é pulmonar.

      As tartarugas variam em tamanho do corpo, de cerca de menos de 10cm para as menores espécies existentes na América do Norte até 2,4m de comprimento de carapaça das tartarugas marinhas da espécie Dermochelys coriácea. As tartarugas de água doce geralmente são menores, e poucas espécies atingem 30cm de comprimento. Os machos adultos na maioria das espécies atuais, apresentam menor tamanho corporal em relação a fêmeas. Os quelônios apresentam ainda, diversos padrões de cor da carapaça, cabeça e patas, entre as espécies. Os quelônios de água doce são geralmente omnívoros oportunistas.

    Todas as espécies de tartarugas são ovíparas e nenhuma fornece cuidado parental. No início do verão, machos e fêmeas sobem os rios em direção as praias para reprodução. Podocnemis expansa é a única que desova em grupos. As demais fazem isoladamente ou em pequenos grupos. A desova ocorre geralmente à noite, sendo a média de 100 ovos por postura (Ferreira Luz, 1994 b). Apresenta um ciclo anual de reprodução que está estreitamente relacionado ao ciclo de cheia e vazante dos rios. A desova e incubação dos ovos ocorre quando as águas se encontram em seu nível mais baixo, deixando as praias expostas e secas. A eclosão e saída das crias coincide geralmente com o início da estação de chuvas e crescimento dos rios (Alho & Pádua, 1982; Ojasti, 1971; Soini, 1984).

     Podocnemis unifilis desova isoladamente em barrancos dos rios e lagos em lugares mais escondidos e aproveitando o barro, folhas e gramíneas ou em bancos de areia, com covas de aproximadamente 30 cm de profundidade onde colocam cerca de 20 ovos em média.

     Podocnemis sextuberculata apresenta um comportamento semelhante ao da tartaruga, com migrações, desova em grupos e em sincronia com o ciclo de cheia e vazante, e utilizando geralmente bancos de areia nas margens dos rios para a desova, com covas de 20 a 30cm de profundidade e cerca de 16 ovos em média por postura.



       
     
   
Quelônio no Período
de Desova
               
    Os quelônios geralmente, apresentam 05 fases no processo de reprodução:
l) agregação próxima à praia de nidificação,
2) subida à praia para expor-se ao sol e/ou escolha de sítio de nidificação,
3) abertura da cova, geralmente à noite,
4) postura dos ovos,
5) fechamento da cova e retorno para a água.

    As fêmeas utilizam as patas posteriores para escavar o ninho na areia ou no solo, onde depositam uma postura que varia de 4 ou 5 ovos nas espécies pequenas, até mais de 200 ovos, nas maiores tartarugas marinhas. Foram registrados períodos embrionários ou de incubação que variam de 28 dias até 420 dias; para muitas espécies o período típico é de 40 a 60 dias.

    Os quelônios apresentam dois tipos de determinação sexual. Genotípica e por fatores ambientais durante o desenvolvimento embrionário, principalmente pela temperatura de incubação nas tartarugas, baixas temperaturas durante a incubação normalmente produzem machos e temperaturas altas produzem fêmeas.
    
Podocnemis expansa é considerada um animal omnívoro oportunista, alimentando-se tanto de frutos silvestres, sementes, raízes, plantas aquáticas, algas, musgos, plâncton, quanto de moluscos, crustáceos, larvas e excepcionalmente de seus próprios ovos e peixes mortos (Alfinito, 1976; Ferreira Luz,1994 b).
               
     
Quelônio no Período
de Desova
   
    Podocnemis unifilis, também considerado omnívoro, apresenta hábitos alimentares diferenciados para fêmeas e machos, que preferem talos e raízes de plantas aquáticas. Alimenta-se também de materiais flutuantes na superfície da água (neustofagia).

    A caça/captura de quelônios e coleta de seus ovos em toda a região amazônica é intensa nas áreas de desova no período reprodutivo (julho a dezembro), por meio da captura direta no momento da postura. A “viração”, utilização de anzóis, redes de arrasto, espinhéis, arpões e flechas, jaticás, puçás e armadilhas. Podocnemis expansa é particularmente vulnerável pela sua nidificação gregária, que facilita a captura massiva das fêmeas e coleta de seus ovos.

    As alterações dos habitats com desmatamentos das margens de rios, lagos e igarapés com redução da oferta de alimento afeta negativamente as taxas de crescimento, bem como os locais de reprodução que é fator limitante a preservação destas espécies.




   





     A Manaus Energia S/A, subsidiária integral da Eletronorte, desenvolve atividades relativas à proteção e conservação do meio ambiente, através de acordos de cooperação técnico-científica. Desta forma, com o objetivo de promover a troca e o aprimoramento das informações, o Centro de Preservação e Pesquisa de Quelônios Aquáticos tem como principais parceiros o Centro de Manejo e Conservação de Répteis e Anfíbios - RAN/IBAMA, Universidade Federal do Amazonas - UFAM e Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA.




   
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